Gandula uma oportunidade


Até o início de maio, quando chegará ao fim o campeonato estadual de futebol, meninos e meninas que cumprem semiliberdade em unidades do Novo Degase vão trabalhar como gandulas nos jogos principais. A estreia do projeto foi no último domingo (17/1), no Maracanã, durante o jogo Flamengo e Duque de Caxias. Dois jovens do Centro de Recursos Integrados de Atendimento ao Adolescente (Criaad) da Ilha do Governador estavam entre os 14 gandulas selecionados para a partida.

E já tem mais trabalho agendado para o feriado desta quarta-feira (20/1), em que se comemora São Sebastião, padroeiro da cidade do Rio de Janeiro. Na partida entre Fluminense e Bangu, cinco adolescentes estão sendo escolhidos e serão apresentados para a formação dos gandulas do jogo, marcado para as 16h.

O campeonato estadual vai funcionar como um plano piloto para parte do programa Começar de Novo, lançado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para beneficiar adolescentes em conflito com a lei, presidiários e egressos. O juiz auxiliar da presidência do CNJ, Erivaldo Ribeiro dos Santos, disse que a oportunidade aberta se estenderá também na preparação para a Copa de 2014, devendo o mesmo acontecer com os Jogos Olímpicos de 2016.

Essa oportunidade é parte do programa Começar de Novo, na parceria firmada com o governo estadual e a Secretaria de Educação. O projeto prevê absorção de mão-de-obra prisional e envolve governadores e prefeitos de estados e cidades que sediarão os jogos da Copa, que se comprometeram a destinar 5% das vagas nas obras para os egressos.

O juiz Marcius da Costa Ferreira, da Vara da Infância e Juventude, mostrou-se entusiasmado com a oportunidade que o programa do CNJ abriu para os jovens do sistema socioeducativo. Os escolhidos, por orientação sua, são jovens de 18 anos completos e em regime de semiliberdade que já passaram pela internação, que é a medida mais drástica, e receberam progressão da medida.

- São oportunidades como esta, proporcionada pela parceria entre os governos federal, estadual, magistratura e sociedade civil, que demonstram de forma inequívoca o objetivo de oferecer todos os meios necessários para que a ressocialização dessa nossa juventude se faça de forma plena.

Os adolescentes que trabalharam no Maracanã, segundo a pedagoga Rosane Braga, da Gerência de Projetos do Novo Degase, foram bem recebidos pelos outros gandulas. Tiveram o mesmo tratamento, mostraram responsabilidade chegando com antecedência ao estádio e participaram com atenção e disciplina das instruções e restrições em um dos vestiários.

Para ela, a oportunidade que está sendo oferecida aos adolescentes é muito importante no processo de ressocialização.

- A indicação para ser gandula nos jogos obedece algumas exigências, como, entre outras, ter interesse em participar da atividade, ser assíduo e atencioso em suas atividades, educado com as pessoas e ter um bom aproveitamento nas atividades escolares - concluiu.


Edição: Washington /Fonte:Ascom Degase

Nenhum comentário:

Postar um comentário